terça-feira, 25 de março de 2025

O corvo, de James O'Barr

 


“Eric grita e grita e bate a cabeça contra a parede até que sirenes fantasmas cruzam sua visão. Tudo que ele quer é dor. Dor e ódio. Sim, o ódio. Mas nunca o medo. O medo é para o inimigo. O medo e os tiros.” 

Vou começar esse artigo com uma confissão. Eu nunca fui muito chegado em HQs, Graphic Novels ou Mangás. Atualmente, eu não tenho muito ânimo em seguir uma série de quadrinhos onde existem muitas edições para ler. Eu me animava no máximo em ver algumas cenas de um certo mangá ou Graphic Novel. A única série de mangás que eu seguia era Turma da Mônica Jovem durante os seus primórdios, mas mesmo assim foram poucas edições e já faz bastante tempo. 

 

No entanto, eu sempre me sentia intrigado a respeito de alguns universos formados dentro desse gênero. E O corvo é um desses universos. Afinal de contas, a trama inspirou o filme de 1994 estrelado pelo saudoso Brandon Lee, filho da lenda Bruce Lee, protagonizando o anti-herói principal. 

 

Na trama, acompanhamos a tortuosa jornada de Eric Draven, que retorna dos mortos para se vingar daqueles que assassinaram brutalmente a ele e sua namorada. Guiado por esse objetivo, Eric vai matando um por um em sua busca solitária por justiça na companhia de seu corvo guardião. 

 

Apesar da edição da Darkside apresentar uma grossura considerável, a história progride de forma rápida e direta, em um ritmo frenético, mas também melancólico, pois vemos o protagonista se torturando pelo que aconteceu com a sua Shelly. Isso porque seu autor, James O’ Barr, estava passando por um processo de luto grande ao criar essa história. Ele havia perdido a sua namorada vítima de um atropelamento nas mãos de um motorista bêbado. 

 

A arte de James é belíssima, que reproduz fielmente uma atmosfera gótica urbana no início dos anos 80. 

 

No geral, O corvo é uma Graphic novel que vale a pena ser lida, pois trata-se de uma HQ com pouco capítulos com começo, meio e fim bem definidos. Apenas deixo um aviso: a dor de Eric Draven pode chocar os menos cautelosos  

 

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sexta-feira, 14 de março de 2025

Mandragora Scream – A whisper of a dew (2003)

 


Durante os meus tempos da minha fase gótica, costumava pesquisar por diversos assuntos ligados a essa subcultura e as músicas estavam incluídas nesse quesito. Acabei conhecendo diversas bandas pelo qual nutri um grande carinho e outras nem tanto. Uma dessas banda é chamada de Mandragora Scream. 

Fundada na Itália em 1997, a banda de metal gótico tem como a sua principal vocalista Morgan Lacroix, que ficou popular pelo jeito que ela canta principalmente em seu país de origem. 

No entanto, eu não estou aqui para escrever a respeito da banda de modo geral, mas sim sobre meu álbum preferido deles, com o nome de A whisper of a dew. 

Lançado em 2003, esse é o segundo álbum da banda e se diferencia de todos na minha opinião porque foi inspirado em uma história de vampiros de mesmo nome escrito por Julio Angel Olivares Merino, um escritor espanhol que é popular pelos seus contos de horror gótico em sua cidade natal. 

Conforme o ouvinte progride na apreciação das músicas, é possível sentir a atmosfera gótica que paira em cada uma delas. 

Com todas as músicas desenvolvidas como se fossem uma espécie de musical na Broadway, todo o álbum fala de uma história de amor vampírica entre uma mulher chamada Issergia e o Conde Veilmbre, envolvendo também a presença de demônios e bruxas em um mundo totalmente fantástico e sombrio bem distante do nosso mundo. 

Todas as músicas são muito boas em desenvolver uma atmosfera fantasiosa e ao mesmo tempo sombria e melancólica, bem como qualquer obra de romance gótico de respeito. 

A whisper of a dew é um excelente álbum musical de vampiros e que vale a pena ser escutado, principalmente para um apreciador da cultura gótica e do vampirismo também. 

Link:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/1VmgmBpujMv0CxQJz3eJJd?si=uH-BNkGUQIeNYIDaWd6hQw 

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess


 

Laranja Mecânica é um livro escrito em 1962 por Anthony Burgess e é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores obras de ficção cientifica distópica de todos os tempos e que inspirou a inesquecível adaptação de Stanley Kubrick para os cinemas em 1971. 

A trama do livro é contada sob o ponto de vista de Alex, um deliquente juvenil que possui um prazer mórbido pela violência extrema. Ele é líder de uma gangue que o segue em suas façanhas criminosas. Porém, ele começa a sentir que tem a sua liderança ameaçada a cada dia que passa por seus druguis (ou amigos). Um dia, depois de matar uma senhora idosa abastada, Alex é traído por eles e largado a própria sorte até a chegada da polícia, que não perde tempo em tê-lo em mãos. 

Depois de assassinar um colega de cela, espancando-o até a morte, Alex é apresentado a opção de ser submetido a um programa de reabilitação experimental conhecido como a Técnica de Ludovico. Entretanto, o que era pra ser uma promessa liberdade precoce aos olhos do protagonista se torna uma sessão de tortura psicológica que ele nunca experimentou em sua vida, pois a dita técnica era na verdade um programa de lavagem cerebral na qual ele era obrigado a ver inúmeros filmes cujas cenas de violências eram tão brutais e crueis que ele passa a ter nojo de qualquer coisa que remeta a violência, assim como as músicas de Beethoven, seu artista musical preferido. 

Após o programa ser bem-sucedido, Alex ganha a sua tão desejada liberdade. No entanto, as sequelas adquiridas pela lavagem cerebral, assim como o ódio e o ressentimento das muitas pessoas que ele atormentou e decepcionou em sua vida pregressa o assombram de uma forma bastante crua e extremamente violenta. 

Apesar da sua narrativa, no mínimo, diferenciada, a trama do livro não hesita em mostrar de maneira crua não apenas a violência extrema perpetrada por Alex e seus druguis como também toda a podridão existente da raça humana em meio a uma distopia bastante realista aos olhos de qualquer leitor. O livro é repleto por gírias Nadsat, uma linguagem estranha que mistura inglês e russo que é bastante usada por jovens dentro do universo do livro. 

Laranja Mecânica é um daqueles livros que poderão divertir aqueles que são mais fanáticos por distopias ou aqueles que curtem uma boa história e também pode possuir momentos de reflexão a respeito de uma juventude perdida e cercada por uma violência cada vez mais desenfreada. 


Link:

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Flesh & Space – From...(2002)


 

Nos últimos tempos, a Rússia tem causado uma fortíssima polêmica no resto do mundo por conta da guerra na Ucrânia. No entanto, não é de hoje que o país governado por Vladmir Putin é visto com certa estranheza principalmente por parte de certos países ocidentais. 

Para algumas pessoas, Rússia é considerada um país a parte do mundo liderada por um líder, no mínimo, politicamente incorreto e que tem uma cultura bastante peculiar até mesmo no meio mais underground. 

Uma das bandas que fazem parte desse meio é batizada como Flesh & Space. 

Fundada em 1998, a banda Flesh & Space não é muito conhecida aqui no Brasil nem mesmo no nosso meio underground, tanto que na época em que descobri essa banda (em meados de 2010), foi uma dificuldade tremenda em baixar os seus álbuns e ouvir as suas músicas. 

Quando eu finalmente conseguir baixar os álbuns, algumas músicas foram bem agradáveis de ouvir, enquanto outras eu não conseguia por serem perturbadoras demais até mesmo para mim. Se fosse para eu indicar um álbum da banda para os mais leigos e curiosos, sem sombra de dúvidas seria From..., álbum criado em 2002. 

As músicas que mais se destacam, na minha opinião, são essas: The deserted dream, Through emptiness and tears (part 1), From..., Suicidal minds, Sleep easy my child, Formalin life e Cleanliness Similar to Tears. 

Em todas essas músicas, é bem perceptível uma atmosfera bastante introspectiva, melancólica, depressiva e até mesmo suicida, que deixa um vazio enorme no interior de qualquer ouvinte, mas ao mesmo tempo, pode até despertar um sentimento de tranquilidade na minha opinião. 

Infelizmente, essa banda não está presente no Spotify, mas suas músicas podem ser facilmente encontradas no YouTube. 

Apesar de ainda desconhecida por grande parte das pessoas até mesmo dos góticos ocidentais, a banda Flesh & Space é uma pérola injustiçada e o seu álbum From... é o melhor trabalho deles que compensa ser ouvido, apesar de ser bem sombrio e bem melancólico.

Link:

https://www.youtube.com/playlist?list=PL7jc_x0lhW4iZolmXhd-kSv5X9uatgLja 


Daisy Jones & the Six – Aurora (2023)

 

 


Há algum tempo atrás, eu fiz uma resenha do livro “Daisy Jones & the Six”, da autora Taylor Jenkins Reid. Nele, eu cheguei a falar no quanto esse livro se inspirou na atmosfera louca que foi os anos 70, principalmente no auge do sexo, drogas e rock’n’roll. 

Em março de 2023, a Amazon Prime Video lançou uma série que adapta os acontecimentos da história literária. Junto com ela, uma banda chamada Daisy Jones & the Six foi criada para complementar a vibe da época junto com o álbum Aurora. 

Apesar das músicas desse álbum serem diferentes das músicas do livro em todos os sentidos, todas elas seguem a mesma atmosfera em comum com a história. Afinal de contas, estamos falando de uma banda com claras inspirações do rock classico e pop que mexeram com a cabeça dos jovens da década setentista. 

Pelo fato de terem sido inspiradas no álbum Rumours, da banda Fleetwood Mac, as músicas de Aurora seguem a mesma temática de amor e também de término de relacionamento. Como o próprio livro diz, trata-se de desejar alguém que está por perto e ao mesmo tempo a quilômetros de distância, mas mesmo assim, você não deixa de desejar essa pessoa. 

Particularmente, a minha música preferida nesse álbum é justamente a Regret me, que ao contrário da agressividade apresentada no livro da Taylor, possui um ritmo mais calmo no álbum. Outra música que também merece destaque para mim é a primeira, a Aurora, com o seu ritmo dançante e vibrante. 

Apesar de não ser um tipo de álbum que me chame toda a atenção do mundo, Aurora pode ser algo surpreendente para quem quiser entrar na vibe do livro Daisy Jones & the Six, que pra mim continua sendo um dos melhores livros que eu já li da Taylor Jenkins Reid.

 

Link:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/4ouqACcnzsOvtUlnj5abyo?si=Xzs-0EovTNOKJBmy1CeK4Q 

Fleetwood Mac – Rumours (1977)

 


 

Fleetwood Mac foi uma das bandas que conseguiram ganhar o seu lugar no sol e ter um sucesso estrondoso, tendo o seu fundamento em Londres em 1967, porém ficando mais popular no Estados Unidos. 

Estando ativa até os dias de hoje, a banda Fleetwood Mac teve várias formações e membros diferentes com o passar dos anos. Porém, dentre essas formações, uma das mais lembradas são com os cantores Stevie Nicks e Lindsey Buckingham durante os anos 70. 

Graças a essa formação, surge um dos álbuns de maior sucesso da banda, o Rumours. 

Lançado no dia 4 de fevereiro de 1977, o álbum, ironicamente, também marca um dos momentos mais tensos da banda naquela época, pois Stevie e Lindsey tinham um relacionamento amoroso e acabam terminando durante a produção das músicas do dito álbum. John e Christine Mcvie também estavam passando por esse clima em processo de divórcio de um casamento que durou anos. Em outras palavras, o clima na divulgação de Rumours não podia ser mais instável. E, como um dado curioso, foi esse mesmo clima pesado que inspirou a escritora Taylor Jenkins Reid em escrever Daisy Jones & the Six, publicado em 5 de março de 2019. 

Todas as músicas presentes nesse álbum possuem letras que espelham um clima de final de relacionamento, com uma sonoridade mais focada no soft rock, porém com uma pegada de folk. 

Dentre todas as músicas, as que mais gostei foram as tranquilas Dreams, Songbird, You make loving Fun e Oh Daddy, além da agitada Go your own way e por último a famosa The chain, que serviu de abertura para a novela da Rede Globo O sétimo guardião. 

Rumours deixou a sua marca com o seu lançamento e tornou a banda Fleetwood Mac um sucesso atemporal. Um álbum que vale a pena ser degustado.

 

https://open.spotify.com/intl-pt/album/1bt6q2SruMsBtcerNVtpZB?si=a2fNsoXgRraAWSIELNAbhg 

Ozzy Osbourne - Blizzard of Ozz (1980)

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