segunda-feira, 14 de abril de 2025

Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows - Dead Lover's Sarabande (Face Two) (2000)


 

 

“Nada nesse mundo 

Pode ser mais imaculado e puro 

Como o amor frio de nós para os mortos” 

Mais uma vez falarei sobre Sopor Aeternus & The Ensemble of shadows. Desta vez com a sequência de um dos melhores álbuns da banda, a Dead Lovers Sarabande. 

Como qualquer sequência, a lore do álbum continua nos contando sobre a dor da perda da cantora pelo seu amado. Porém, o álbum Face two se foca totalmente na protagonista superando a morte do amado e aceitando que, por mais que ela queira, ela nunca voltará a ter os belos momentos que outrora possuía ao seu lado e escolhe enfrentar o seu luto com um pouco mais de serenidade. 

Levando em conta esse tema principal, as músicas desse álbum, pelo menos em sua grande maioria, são bem mais leves que as do álbum anterior apesar de ainda serem melancólicas. Abschied deixa bem claro do que o disco se trata, mantendo a atmosfera de luto e beleza ainda intactos. The house is empty now, Procession/Funeral March é Tranfiguration mantém essa aura tranquila e sombria. 

Pra fechar com chave de ouro, o álbum termina com duas das minhas músicas favoritas: If loneliness was all e Daffodils. 

O volume dois de Dead Lovers Sarabande encerra com dignidade essa comovente e tortuosa jornada de luto, morte e solidão que assola toda a atmosfera de todas as músicas e que foi responsável pela ascensão merecida de Anna-Varney Cantodea ao topo da subcultura gótica. 

https://open.spotify.com/intl-pt/album/1urcowLsBpTdYMlupLInX5?si=PJ1iSVenRWuFEzEh4fs8KQ 


terça-feira, 25 de março de 2025

Um comunicado

 

Caros leitores, 

 

Eu me chamo Lincoln Pereira dos Santos Neto e eu era o dono do blog Introvertido (introvertido.com.br). 

Devido a uma série de infortúnios, eu já não mais dirijo aquele blog por questões econômicas. Por causa disso, eu optei em cruzar um caminho mais simples indo para o Blogger. 

Por uma providência divina, eu consegui recuperar algumas de minhas resenhas anteriores, mas terei que refazer algumas metas para reescrever outras com uma perspectiva mais diferente. 

Por causa disso, eu criei esse blog chamado O homem introvertido, que vai se dedicar exclusivamente a resenhas. Seja de livros, albuns musicais ou podcasts. 

Agradeço a compreensão de todos vocês e cruzamos juntos essa nova jornada.

Uma noite mal dormida, de João Albério

 

Esse é, sem dúvidas, um dos livros mais raros que eu já encontrei em toda a minha vida, pois se trata de uma edição muito antiga, publicada em meados dos anos 80, cujo autor nem sequer é conhecido em Minas atualmente, muito menos no restante do Brasil. 

Não se sabe muita coisa a respeito de João Albério. A única coisa que se sabe dele é que o mesmo escreveu dois únicos livros: “Uma noite mal dormida” e “O homem dos dois mundos”. Em algum momento de sua vida, ele decidiu não viver exclusivamente da escrita, trabalhando assim em inúmeros empregos como professor de inglês e motorista particular. 

Uma coisa que me deixou bastante intrigado a respeito desse autor é de que ninguém sabe o paradeiro o atual paradeiro do mesmo, como é mostrado nesse link: https://www.procurarpessoas.net/procurar-familia/joao-alberio-rodrigues-neto/ 

Ao que tudo indica, na minha sincera opinião, é de que João Albério já não faz mais parte desse mundo. 

Ao ler um de seus livros, “Uma noite mal dormida”, eu pude perceber que João Albério tinha um grande potencial para contar uma boa história e provavelmente poderia ter se tornado um escritor com um pouco mais de reconhecimento se tivesse se dedicado realmente a esse ramo. 

Nesse pequeno livro, João Albério conta duas histórias. A primeira fala sobre um deficiente mental que tem um ataque de fúria após sofrer humilhações consecutivas. 

A segunda história, que é a melhor na minha opinião, é do mesmo título que o livro em si. “Uma noite mal dormida” conta a história de uma adolescente de dezesseis anos que foi expulsa de casa pelos pais crentes por se envolver com um jovem playboy maconheiro. Desesperada e sem saída, ela conta com a ajuda de uma amiga dela, que a convence para trabalhar em um prostíbulo. É lá que ela não apenas se envolve com um homem bem mais velho do que ela, como também começa a explorar ainda mais a sua sexualidade, sem se preocupar com as consequências que estão por vir. 

“Uma noite mal dormida” foi um ótimo entretenimento para mim em uma leitura tão curta, mas bem gostosa de se fazer.

The cure - Pornography (1982)

 


Considerada por todos uma das bandas mais influentes do mundo, é inegavel que The Cure fez um grande sucesso na década de 80. E um dos fatores que ajudou bastante nessa subida ao topo é o fato de seu vocalista Robert Smith, assim como os outros membros da banda serem músicos simplesmente geniais e também multifacetados, indo do alternativo ao pop sem muitas dificuldades e sem perder a qualidade musical da banda. Por causa dessa genialidade, The Cure construiu um legado inabalável, possuindo uma extensa carreira e muitos álbuns de estúdio. 

Entretanto, como qualquer fase humana da vida, os membros da banda também passaram por grandes dificuldades na vida por conta de seus vícios e foram esses mesmos vícios que quase culminaram não apenas com o fim definitivo da banda, como também no suicídio de seu vocalista. E nenhum álbum musical soube representar essa atmosfera totalmente conturbada do que o infame Pornography. 

Sendo o quarto álbum da banda, Pornography foi lançado em 3 de maio de 1982 e, ao contrário dos álbuns anteriores, esse apresenta uma atmosfera totalmente sombria e depressiva, visto que todos os membros da banda estavam sob efeito de entorpecentes e Robert Smith sofria de depressão profunda. 

Só para se ter uma ideia, a primeira música do álbum, One hundred years, começa com uma frase perturbadora: It doesn't matter if we all die. Traduzido em português significa: Não importa se todos nós morremos. 

Uma música apresenta ser mais sombria que a outra em Pornography, tendo destaque a já citada One Hundred Years, The Hanging Garden, Cold e Pornography, essa última sendo a mais perturbadora de todas. 

Por causa de Pornography, The Cure foi considerada a banda queridinha dos góticos e não é a toa, pois esse mesmo álbum também é o primeiro da famosa trilogia da depressão, formado também por Disintegration e Bloodflowers. Por conta de tudo isso, The Cure merece o posto que tem por ser uma banda tão genial por expressar os mais variados sentimentos em cada música que cria e também por ainda atrair muitos fãs ao redor do mundo. 

 

https://open.spotify.com/intl-pt/album/5O5mnof890aQ1Wn42H5pCW?si=TuoR60XUQKScSUL_oQ3ybA 


Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows - Dead Lovers Sarabande (Face One)

 


Cubram os espelhos, o frágil morreu, 

Mas deixando pra trás uma ruína sem estrelas! 

Quebrem os espelhos, 

Então ele jamais poderá ser chamado de volta do sagrado silêncio de sua abóbada assustadora... 

 

Dentre todas as bandas góticas que eu já ouvi na minha vida, nenhuma delas se compara com o talento quase que sobrenatural de Anna-Varney Cantodea com a sua banda Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows. 

 

Pelo menos uma grande parte dos álbuns dessa cantora capturam de forma bastante fiel a atmosfera gótica que uma banda deve ter para atrair a atenção dos amantes das trevas. As letras de todas as suas músicas abordam muitas vezes a morte, como também a própria sexualidade de Anna-Varney. 

 

Um dos motivos dessa banda ter o reconhecimento merecido na cena gótica é o simples fato de ter apenas a Cantodea como membro oficial. É apenas ela que compõe e canta as próprias músicas e isso já pode ser considerado um feito grandioso. 

Outra coisa que contribui bastante para a popularidade dessa banda é justamente a própria Anna-Varney por ter uma vida e origens envoltos em um grande mistério. Não se sabe ao certo como ela vivia antes de criar a banda e muito menos se é realmente uma mulher ou um homem. Tudo o oque sabemos a respeito da banda é que tudo começou quando Anna frequentava a casa noturna Negativ, em Frankfurt. Foi ali que surgiu uma necessidade muito grande de dentro dela em renovar a cena musical. Pode-se dizer que foi ali mesmo que a banda Sopor Aeternus começava a tomar sua forma. 

O álbum citado aqui, Dead Lover’s Sarabande (Face One), é um grande exemplo da maestria de Anna-Varney Cantodea em criar a atmosfera perfeita para qualquer música gótica e que possivelmente deu uma grande aula para outras bandas vindouras na época em que foi o disco foi lançado. Trazido a luz em 1999, esse disco conta a história sobre uma mulher em processo de luto pela perda do homem da sua vida. Cada música não apenas apresenta o processo dessa dor que a protagonista enfrenta, como também deixa claro que essa mesma protagonista ajudou o amado a cometer suicídio, pois não aguentava mais vê-lo sofrer bastante por causa de uma doença não mencionada. Anos mais tarde, a própria Anna-Varney confessou que o album foi dedicado ao já falecido Rozz Williams, vocalista da banda de deathrock Christian Death. 

O álbum possui uma imersão muito boa e uma ambientação sombria e triste, porém não deixando de ser relaxante em alguns momentos. Todas as músicas são excelentes, mas aquelas que mais se destacam, pelo menos para mim, são as seguintes: 

. “HadesPluton”” 

. “Sieh’, mein Geliebter, hier habich Gift” (Aqui, meu amor. Eu tenho o veneno) 

. “The Sleeper” (Baseado no poema de Edgar Allan Poe) 

. “Inschrift/Epitaph” (Inscrição/Epitáfio) 

 

De forma geral, Dead Lover’s Sarabande é um dos melhores álbuns de Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows e que eu considero um dos meus favoritos da banda. Apesar da sua atmosfera sombria, é um disco que pode ser ouvido em momentos de busca de alívio ao stress. 

 

https://open.spotify.com/intl-pt/album/0gn2BzFoQJNZqbxaZykQ2G?si=7mdyTkRAT6iFK0G2e4mbkA 


Morbid Poetry - Pilgrims (1996)

 


Morbid Poetry é uma das bandas que me fez fascinar cada vez mais pela subcultura gótica. 

Fundada na Alemanha em 1989, a banda permanece ativa até os dias de hoje apesar de não lançarem nenhum álbum novo. O máximo que eles fizeram nessa década de 2020 é lançarem um EP batizado de Ressurection em 2021. 

No entanto, eu não estou escrevendo esse post para falar do EP recente, mas sim de um álbum antigo da banda que considero um dos meus favoritos batizado como Pilgrims. 

Pilgrims representa o que há de melhor da Morbid Poetry e a real essência do rock gótico noventista, melhor inspirado em bandas como Nosferatu e Sisters of Mercy. O álbum é bem caprichado de modo geral, com muitas músicas capazes de te fazer dançar em dias chuvosos ou até mesmo apreciar uma noite de lua cheia. Eu considero Black Angel, You, Demon’s world e My Pavement como as minhas prediletas. 

O mais curioso sobre Morbid Poetry é que o grupo disponibilizou o download gratuito de cada álbum no site deles, pois a última coisa que eles querem e de se tornarem uma banda comercial. 

Pelo fato disso e também da banda não muitas músicas disponíveis no Spotify (apenas no YouTube), vale a pena ir no link disponível para fazer os downloads e curtirem todos os álbuns criados. 


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